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O Faraó Nemathap, Amenemhat e a pequena comitiva chegaram ao entardecer em Poseidonis. Foram recebidos pelos familiares e auxiliares diretos do Imperador, conforme o protocolo, e levados para suas acomodações, cientes de que seriam recebidos formalmente logo mais após o entardecer. Todos os olhares eram para a pequena rainha de 16 anos . O fato que despertava a curiosidade geral era que todos os chamados filhos dos deuses conhecidos não eram de aparência bonita . Sempre carecas, eram baixos, magros, olhos negros pouco expressívos e de pele áspera . Mas, a filha do Faraó do Egito era delicada e bela. Se não fosse pela sua cabeça alongada, e por sua peruca , poderia ser confundida com uma terrestre comum. Amenemhat correspondia aos cumprimentos recebidos, acenando com rosas vermelhas que tinha trazido e se encantava com aquela expontaniedade de todos. No Egito não havia tanto alvoroço com a sua chegada ou sua presença . O costume de sua terra era a discrição e o respeito quase monástico pelos governantes. Ao Faraó e sua pequena comitiva estava reservada uma esplêndida construção redonda com uma cúpula azul no alto de uma colina. No topo da residência haviam aros dourados e estava próxima a uma grande fonte que jorrava puras águas azuis.
Amenemhat e suas servas foram instaladas em um grande quarto ricamente decorado e confortável num dos aposentos da residência. Ela estava irradiante. Era luxo demasiado, já que no Egito, as construções e o interior das casas, Templos e locais de reunião tinham outras motivações na decoração e todos os ambientes eram mais "vazios". Podia se dizer que tudo ali era profano, comparado à sobriedade, discrição e austeridade em sua casa por todo o Egito. Uma das servas, de sua idade, se prontificou toda feliz em ajudar a menina com os enfeites imperiais que ali haviam sido deixados pelos regentes de Poseidonis. Amenemhat então, após ter sido banhada por suas servas, massageada com ungüentos perfumados, vestiu uma túnica branca de linho real. Era um linho alvo, diáfano e transparente. Uma túnica longa, inteiramente plissada, ajustada por um cinto de ouro em forma de serpente. No seu pescoço, fino e gracioso como uma haste de uma flor, Amenemhat colocou um largo colar chamado ousekh. Ele constava de seis finas correntes de ouro, enfiadas de grandes pérolas. Nos seus braços delicados, brilhavam pulseiras de ouro e turquesas com fechos de coralina. Um passarinho entrou no aposento e despertou um grito da serva. Amenemhat riu contente com o susto da menina. O riso de Amenemhat era cheio de sonoridade e seus dentes brilhavam com resplandecente brancura. Sim , de fato ela era uma filha dos deuses , abençoada pela sua origem e pela beleza . Ao perceber que sua presença encantava a dezena de servas, Amenemhat se divertia com sua vaidade recém descoberta. No seu quarto, diante do espelho de prata polida, ela estava feliz pela recepção calorosa . Suspirava olhando sua própria imagem e admirando a sua beleza com prazer. Ela observava a linha harmoniosa do rosto, a delicadeza das orelhas, ornada com longos brincos de ouro, o rasgado estranho dos grandes olhos negros e profundos como os dos demais filhos dos deuses. Sua face era magra, mas tinha as bochechas redondas, a pele fina, macia, quase dourada como o âmbar tocado pela luz solar. O seu nariz era reto, a boca cheia, estava pintada com o vermelho das amoras. Sobre o crânio liso e raspado, ela tinha colocado uma linda peruca negra que lhe caía graciosamente sobre os ombros delicados. Amenemhat observava sobre a mesa os inúmeros potes de alabastro contendo cremes, óleos aromáticos e perfumes a base de rosas, almíscar e sândalo. Ela não conhecia tantos cremes e perfumes assim na sua casa do Egito. Criada sem sua mãe e dentro da compreensão da vida espiritual, através de seu pai e do Sumo-Sacerdote desde criança, ela não tinha sido tão estimulada a se enfeitar e se embelezar.
Já à noite, o Imperador de Poseidonis recebeu o Faraó e sua filha. Em um amplo salão ao ar livre, completamente lotado, estavam presentes todos os grandes Sacerdotes vestidos com suas longas túnicas de linho púrpura bordados de lírios de prata. Também compareceram os Altos Dignitários da Corte e diversos governantes de outros povos ligados ao governo de Poseidonis. Entre eles, os representantes do Governo Inca – (veja Relato sobre eles neste site). O Faraó usava as vestes cerimoniais com a coroa do Egito branca e vermelha (cores que depois no nosso tempo seriam usadas para identificar o Alto e Obaixo Egito). Tinha nas mãos o cetro de ouro em forma de cajado de fios de rede vermelha, azul e amarela, símbolos da religião e do poder imperial. Ele usava também um largo colar de três voltas tendo como medalhão um belo escaravelho de ônix com uma formula gravada.
Quando se apresentou ao lado do Faraó, usando pérolas egípcias e os simbólos da Iniciação, olhares de admiração a envolveram de todos os lados, deixando-a envergonhada. Amenemhat feliz com seus encantos de mulher raramente apreciados no Egito, usava a coifa das Rainhas- leve e luminosa- de ouro laminado em forma de asas, encobrindo a cabeça raspada e comprida que denunciava sua origem extraterrestre. O Imperador convidou ambos a sentarem ao seu lado em cadeiras de espaldar alto e pés em forma de garras de leão. A um sinal do Imperador de Poseidonis, iniciou a cerimônia . Ouviu-se uma grande saudação ao convidado, feita por um coro de cantores juvenis. “Salve ó Filho do Sol, Guardião da Verdade!”. Salve ó Poderoso! Salve ó Sacerdote, Regente da Eternidade!”. A saudação se prolongou um pouco mais, resaltando os poderes espirituais do governante do Egito. Depois o coral saudou a jovem rainha. “Ó grande deusa celeste!”. Estende suas asas protetoras sobre nós Por tanto tempo quanto brilhe As estrelas imorredouras “. Após a apresentação dos músicos e terminada a recepção inicial, com a troca de presentes e de algumas palavras, o Imperador convidou a todos para se dirigirem ao Templo Central, o mais grandioso de Poseidonis que ficava ao lado do grande salão. No acesso ao Templo havia lindas estatuas de pedra de esfinges com a fisionomia de carneiros. Muito tempo depois no Templo de Luxor, uma grande alameda com esfinges semelhantes foi construída posteriormente com maior esplendor pelos Reis Egípcios. No Templo Central se daria um encontro com todos os convidados governantes e depois um encontro reservado entre o Faraó e o Imperador. Enquanto o Faraó mantinha conversações com todos, Amenemhat observava no interior do Templo um grande pátio de mármore branco onde os convidados formaram os pequenos grupos . Acompanhada pela filhas do Imperador, ela se afastou para o jardim externo e passou a observar as redondezas do Templo cercado com imensos cristais azuis, montados em mastros dourados em forma de flores, estrelas e que irradiavam uma suave luz azul ao seu redor. Por trás do Grande Templo Dourado e Branco estava à Casa da Cura, onde se estudava Medicina; a Casa da Ressurreição, onde se realizavam os ritos diversos e poucos podiam ali entrar. Também ao lado podiam se ver os aposentos dos Sacerdotes e dos escribas. Mais afastado estavam os aposentos das Sacerdotisas e dos noviços. Ä frente do Templo estava o lago sagrado, no centro da Ilha, com suas águas azuis e cristalinas. Informada pelas filhas do Imperador que aquelas águas eram vulcânicas e curativas e que nas suas profundezas estavam ruínas de Templos da Grande Atlântida, guardadas por golfinhos, Amenemhat se conteve para não mergulhar naquelas puras águas azuis tão convidativas . As filhas do Imperador tudo queriam saber sobre o Egito e sobre sua vida como rainha tão jovem. A duas filhas do Imperador explicaram a Amenemhat como as águas brotavam do fundo do oceano e desciam pelos canais circulares da Ilha, possibilitando o tráfego de embarcações . Durante o encontro reservado, o Imperador convidou a Faraó a ministrar uma aula a seus pupilos diretos. Ficou acertado que esta aula seria na parte da tarde no pátio externo do Templo, antes de sua partida no dia seguinte. A parte da manhã, já estava reservado às instruções com o pequeno grupo de iniciados sobre as atividades da hierarquia na Ilha. O Faraó tinha ficado com o Imperador até a madrugada, após ter se reunido com os sacerdotes, membros das Hierarquias de outros Governos e tratado de várias decisões tanto sobre o comércio, pesquisas, como de segurança . Neste último assunto, estava o guarda o registro da história do Continente da Atlântida antes do afundamento da grande ilha e seu desmembramento nas Ilhas de Ruta e Daitia que estava em Poseidonis. Na manhã seguinte, Amenemhat levantou sem ser percebida com suas roupas íntimas de linho branco, correu secretamente para um mergulho nas águas sagradas do Templo Principal. Certamente que não havia pedido a seu pai, pois sabia qual seria a resposta. |
CONTINUAÇÃO DOS ''DIÁLOGOS DE UM FARAÓ XXXIX"
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